Todo o trabalho das observações mais simples está em eliminarem-se as aparências enganadoras da realidade, por maneira que, ao fim de longos cálculos, possamos ver o que os nossos olhos não mostraram. Acontece o mesmo, contemplando-se o passado. A nossa visão interior alongando-se no tempo, como a exterior ao desatar-se no espaço, é sempre falsa, quando se atém só ao que divisa, e não atende aos erros oriundos menos do objeto observado que da nossa posição e do meio que nos circula.